O amadurecimento da Web como plataforma para Produção Social
De Socialmedia.wiki.br
Nos últimos 15 anos, tentamos transpor para a web o modelo de comunicação massificada que conhecíamos dos meios de comunicação típicos do século XX - um emissor falando a uma platéia enorme e passiva. O que tem sido chamado de Web 2.0 é justamente o processo de descoberta da possibilidade de se usar a web como plataforma para uma comunicação horizontal, de muitos para muitos, colocando em prática seu potencial inato para a produção social.
O termo Web 2.0 surgiu com uma publicação onde Tim O’Reilly enumera e analisa padrões de design e modelos de negócios comuns a empresas e serviços baseados na internet que sobreviveram ao estouro da bolha.com em 2001 com sucesso.
O artigo original de O’Reilly (2004) aponta como competências fundamentais para um empreendimento Web 2.0:
- Oferecer serviços ao invés de softwares empacotados;
- Controlar fontes de informação, tão ricas quanto o número de pessoas que as usam;
- Confiar nos usuários como co-desenvolvedores;
- Alimentar a Inteligência Coletiva;
- Explorar a Cauda Longa através de serviços de auto-atendimento;
- Desenvolver softwares compatíveis com qualquer plataforma;
- Manter a simplicidade no Design, no desenvolvimento e nos negócios.
Essas e uma série outras práticas e princípios compõem o conceito, mas não há uma definição final de quais são eles. O único consenso é que tudo gira em torno da proposta de Web como plataforma para a produção social, em oposição à entrega expressa de conteúdo, típica de outros meios de comunicação.
[editar] O Design faz toda a diferença
Tim Berners-Lee (2006), o inventor da World Wide Web, está entre os que consideram o termo Web 2.0 um simples jargão comercial com pouco significado. Ele afirma que os padrões tecnológicos continuam os mesmos, e que conectar pessoas sempre foi o objetivo da web, por isso não faria muito sentido anunciar isso como uma nova etapa da web. Mesmo assim ele não deixa de reconhecer a grande contribuição trazida por novos usos da web como no caso dos blogs e wikis, e acredita numa evolução constante e aparecimento de novas ferramentas na mesma linha.
Ainda que o uso do termo não seja uma unanimidade, ele serve para atentar para uma segunda geração de serviços online, projetados com intenções muito diferentes dos sites e portais típicos da época da expansão comercial da web.
| Web 1.0 | Formação (1960 a 1995) | Do âmbito acadêmico à Internet comercial |
| Povoamento (1995 a 2005) | Da Internet comercial à Web2.0 (Transposição do modelo tradiconal “um para muitos”) | |
| Web 2.0 | Início dos projetos de Inteligência Coletiva (2005) | Desde a chegada da Web2.0 (Projetos assumidamente voltados para o modelo “muitos para muitos”) |
Tabela: A evolução da Web.
Como Berners-Lee afirma, esse passo adiante não é necessariamente fruto de avanço na tecnologia, já que a base técnica da internet ainda é fundamentalmente a mesma. A grande evolução aconteceu na abordagem comunicacional em que esta mesma tecnologia é empregada, o que é definido durante a etapa de planejamento e design.
Fica claro agora que é uma questão de design aproveitar ou não o potencial da web para fazer acontecer a produção social e direcioná-la rumo a inteligência coletiva. Cabe então ao designer informar-se sobre métodos e técnicas para a criação de mídias sociais de forma consciente.
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